9 de abril de 2011

Marcelo Gutglas dá entrevista a Veja SP

Marcelo Gutglas, dono e fundador do Playcenter, falou com exclusividade a
Veja São Paulo sobre o acidente ocorrido no dia 3 com o brinquedo Double Shock.

Veja São Paulo — Qual foi a sua reação ao saber do acidente?
Marcelo Gutglas — Fiquei transtornado e quero registrar que assumo toda a responsabilidade pelo que ocorreu. Dois acidentes em um período tão curto é inadmissível (seis meses atrás, um dos dois trenzinhos que se alternam na montanha-russa Looping Star não conseguiu frear e se chocou com o outro, ferindo 16 pessoas). Desde a nossa fundação, sempre zelamos pela segurança acima de tudo. Não irei descansar enquanto as causas desses episódios não forem esclarecidas.

Veja São Paulo — Como é feita a manutenção dos brinquedos do parque?
Marcelo Gutglas — Todos os dias, nossa equipe de manutenção, comandada por engenheiros eletrônicos, testa cada um dos brinquedos antes de liberá-los para os operadores. Realizamos ainda conferências mais detalhas semanalmente ou mensalmente, de acordo com a orientação do fabricante de cada equipamento. Além disso, a cada seis meses somos vistoriados por uma empresa especializada, formada por engenheiros credenciados no CREA. E a cada dois anos somos auditados por uma companhia de projeção internacional, que confere a segurança de nossos equipamentos e procedimentos. Como mesmo assim registramos esses dois lamentáveis acidentes é algo que me deixa inconformado.

Veja São Paulo — Alguma falha no Double Shock foi constatada no dia do acidente?
Marcelo Gutglas — Às 14h40, um sensor do brinquedo apontou uma irregularidade e o operador chamou a equipe de manutenção, que foi até o local, mas não constatou nenhuma avaria. Sem visitantes, o equipamento girou três vezes e nada de errado foi verificado. É preciso dizer, no entanto, que isso não foi algo atípico. No mesmo domingo, um dia chuvoso, pelo menos outros sete brinquedos apresentaram pequenas falhas e foram liberados posteriormente por nossos técnicos. Acontece todo dia.

Veja São Paulo — Quanto ganha um operador de um brinquedo do Playcenter?
Marcelo Gutglas — Cerca de 720 reais mensais. Todos os operadores passam por um rigoroso processo de treinamento interno.

Veja São Paulo — Como o senhor planeja convencer a todos de que o parque é seguro?
Marcelo Gutglas — Estou contratando uma empresa de grande porte, reconhecida por todas as autoridades envolvidas no setor, para auditar a segurança de todos os nossos brinquedos. Só assim poderemos nos tranquilizar e a todos os visitantes. Se algum problema for apontado, iremos corrigi-lo. Também vamos reforçar os nossos treinamentos e evitar a superlotação. Teremos mais cuidado. E, claro, vamos dar todo o apoio necessário para a Polícia concluir sua investigação.

Veja São Paulo — O Playcenter chegou a registrar 2 milhões de visitantes nos anos 80, número que caiu para 1,5 milhão nos últimos anos. A que se deve essa queda?
Marcelo Gutglas — Realizamos um estudo e concluímos que poderíamos dar melhor atenção e propiciar experiências melhores para 1,5 milhão de visitantes. Por isso, em 2004 desistimos de alugar três ruas da prefeitura e outros dois terrenos. Nossa área diminuiu de 100.000 metros quadrados para 85.000, o que exigiu uma reconfiguração dos brinquedos. Só precisamos desistir da Montanha Encantada, que foi repassada para o Beto Carreio World, em 2005. Nosso objetivo empresarial também mudou: deixamos de querer ter o maior parque para ter o melhor e mais aconchegante da capital, no qual os paulistanos queiram trazer suas famílias. Não nos queixamos do número atual de visitantes. Aliás, o parque nunca foi deficitário.

Veja São Paulo — O que foi feito para atrair novos frequentadores nos últimos anos?
Marcelo Gutglas — Estamos convencidos de que as famílias devem ser nosso público alvo. Por isso, readequamos toda a infraestrutura do parque, na tentativa de garantir mais conforto para elas. A diferença em relação há dez anos é inquestionável. Reformamos os banheiros e a praça de alimentação e trocamos a sinalização. Inauguramos uma nova área infantil e, em 2003, compramos o Waimea, nosso último grande brinquedo.

Veja São Paulo — A história do parque foi marcada por atrações memoráveis, como a exposição do boneco do filme King Kong, em 1977, e o show do golfinho Flipper, astro da famosa série americana de mesmo nome, em 1983. O período áureo já passou?
Marcelo Gutglas — Essa é uma impressão restrita aos saudosistas, pessoas que frequentaram o parque quando crianças e hoje são adultas. Por muitos anos, o Playcenter foi a principal alternativa de lazer dos paulistanos. Não concorríamos nem mesmo com Shoppings Centers. Mas o cenário mudou nos últimos anos. Não poderíamos continuar apostando nas mesmas fichas que nos trouxeram sucesso no passado. A maior parte de nosso público atual não viu o King Kong, mas mesmo assim adora o parque.

Veja São Paulo — Não faltou investir em novos brinquedos?
Marcelo Gutglas — Importar grandes brinquedos rotineiramente é quase inviável. Até os anos 80, para cada dólar importado era preciso pagar 60 centavos de dólar de impostos. Era uma beleza. Hoje, de cada dólar importado, cobra-se 1,4 dólar, mais que o dobro. Para o segundo semestre, no entanto, está prevista a chegada de um novo brinquedo. Mas só posso adiantar que ele custou 4 milhões de reais.

Veja São Paulo — Uma curiosidade: foi ideia sua convidar o popstar Michael Jackson para uma visita exclusiva ao Playcenter em 1993?
Marcelo Gutglas — Quem nos procurou foi a então empresária da Xuxa, Marlene Mattos, que agenciava o cantor no Brasil. Ela me ligou e disse que o Michael queria conhecer o parque. Mas ele exigia que o Playcenter fosse fechado só para ele e que nenhuma divulgação fosse feita. Concordei, mas agendei a visita para um horário em que normalmente já estaríamos fechados. Em seguida, telefonei para a redação do "Jornal Nacional", da Rede Globo. “Tenho um furo para vocês: o Michael Jackson virá ao Playcenter”, avisei. “Vocês podem fazer a cobertura, mas ninguém pode perceber e o nome do parque precisa ser citado na reportagem”. O cantor veio com dois meninos e andou em todos os brinquedos. A repercussão foi incrível. Até um amigo meu que estava em Moscou me ligou para comentar a visita do astro, pois a CNN a havia noticiado.


Fonte: Veja São Paulo

3 Comentários:

Espero anciosamente pra saber que brinquedo novo é esse!!!!Sou e serei sempre viciado em playcenter!!!Confio no trabalho de todos!!!Parabens a todos do blog!!

Anônimo disse...
11 de abril de 2011 18:46

O Playcenter é e sempre foi grande ícone em seu segmento, sempre fez jus a sua fama ao longo de seus quase 40 anos de existência.

Acredito na integridade desta empresa que infelizmente passou por uma fatalidade. Vocês superarão esta fase.

larissa pires disse...
11 de julho de 2012 13:19

Amo o playcenter já fui várias e várias vezes...